Ônibus

Marginal TietêPubliquei no Digestivo Cultural a crônica Manual para o leitor de transporte público. Eu escrevi:

O ônibus segue a dois centímetros/hora, mas a tensão do trânsito paulista não me engole e é feito Haroldo de Campos que escapo: “o livro me salva me alegra me alaga“. Como, onde, quando é que você lê, leitor? Eu geralmente só leio no transporte público, nas duas ou três ou quatro horas (de acordo com o humor de São Paulo) em que passo indo de lá pra cá. Não chego a agradecer a deus por um congestionamento, como se diz de José Mindlin, mas ler me mantém sadio e eu não penso em comer os olhos de ninguém quando uma passeata para a Consolação e a Paulista fica imóvel do Paraíso àBela Cintra. Não, não. Estou longe. Sou quase um monge budista, de vez em quando olhando os sem-livro incompreensíveis.

O texto tem as marcas de duas outras atividades na época: a produção do site Ocupação Haroldo de Campos e a leitura de Madame Bovary. Os percursos narrados são os que me levavam para o curso de Filosofia, na USP.
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