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Percurso e Surpresa nos Jornalões

JornaisPubliquei no Digestivo Cultural o artigo Pra que ler jornal de papel?, sobre uma mídia supostamente moribunda: os jornais impressos. Há neles aspectos atrativos, inexistentes na internet, sua algoz? Explorei essa possibilidade e algumas outras ideias. Eu escrevi:

Em primeiro lugar, o jornal me sugere um percurso. Realiza uma seleção, dispõe discussões relativas ao tema, agrupa as matérias de forma que eu as visualize todas com o virar das páginas. Navegando na Folha Online, eu teria de passar de link relacionado a link anunciado, mas nada ali me diz que aquilo faz parte de um todo, só me diz que foi acumulado no mesmo lugar. (…) Nessa sugestão de caminho, encontramos a segunda utilidade: ao longo das editorias, sou apresentado a assuntos que eu não procuraria virtualmente, e, por isso, nunca saberia deles. Esportes, temas femininos, construção, design ― não procuraria nada no Google sobre eles; mas ali no jornal estava uma matéria e por acaso eu aprendi. A internet é como o mar de certo conto de Poe: te drena em uma espiral e te afunda. No fim das contas, ela te dá mais e mais de você mesmo, seguidamente.

atualização: o artigo foi referenciado, em link, no estudo “O Design de Jornais: Do Texto ao Hipertexto“, da pesquisadora Ana Gruszynski, no livro Mapeamento do Ensino do Jornalismo Digital no Brasil em 2010.

Cobertura Eleitoral e Tendência

Publiquei no Observatório de Imprensa o artigo Edições em Campanha Política, um texto que compara a cobertura do Estado de S.Paulo das atividades dos presidenciáveis em 2010 Dilma Rousseff e José Serra. Pela enfoque diferenciado nas fotografias de um e outra, o resultado é uma clara preferência pelo candidato do PSDB. Eu escrevi:

O governador de São Paulo José Serra e o jornal O Estado de S.Paulo têm uma coisa em comum: ambos parecem estar em campanha, ambos pela Presidência, o segundo em defesa do primeiro. Na surdina. Contrapondo o modo pelo qual o Estadão representa Serra ao que usa para figurar Dilma Rousseff, podemos supor uma predileção pelo primeiro. A tendência se enxerga, neste artigo, pelo uso das fotos que ilustram as matérias e pela edição do todo. Poderá haver outras formas de argumentar o mesmo (ou o contrário), mas esse será o nosso meio de interpretação.