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Protestos de Junho

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Publiquei no Digestivo Cultural o artigo Notas Obsoletas Sobre os Protestos, reações pontuais sobre os protestos de junho, mescla de não-ficção, filosofia e insights variados. Eu escrevi:

Na noite de 13 de junho, tive a impressão clara do que é viver sob uma ditadura, a exatidão de um símbolo: a Avenida Paulista varrida pela fileira compacta da Tropa de Choque, seus coturnos marcando de uma ponta a outra da via, veículos negros logo atrás em escolta. Do outro lado das telas, os coadjuvantes também éramos acuados, porém de um modo mais íntimo; como resistir? Esqueça os motivos atuais de protesto. Imagine a causa mais justa. A marcha a que assistimos ameaça inteira e idêntica qualquer uma delas, sem frestras entre os escudos, sem respiros na névoa de gás lacrimogêneo, gás de pimenta para temperar a ordem – tiro de borracha pra apagar cidadania.

#forapm (?)

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Publiquei no Digestivo Cultural a crítica Tiros, Pedras e Ocupação na USP, sobre o as manifestações estudantis em 2011. O texto narra em primeira pessoa o conflito da polícia em 27 de outubro daquele ano e a assembleia que se desenrolou logo depois, com imediata ocupação da Administração da FFLCH/USP. Ao mesmo tempo, discute as temáticas que estavam em jogo. Eu escrevi:

As raízes do confronto vão além da versão mais simplificada, que, se por um lado descreve o estopim da manifestação, por outro não deixa perceber os múltiplos fatores em interação no acontecimento. Essa versão simples coloca, como motivo único, a tentativa, pela polícia militar, de encaminhar ao distrito três alunos que estariam fumando maconha. (…) Daí até o conflito final, foram pelo menos três horas – tempo suficiente para a manifestação se descolar da razão inicial e agregar questões como: a presença da PM no campus é legítima? O modo de abordagem é justificável? Segurança significa apenas intensificação de ronda policial?

Meu envolvimento com os debates internos ao movimento estudantil uspiano me levaram à participação no Discurso sem Método, jornal dos estudantes de Filosofia. No periódico, há vários textos que analisam a movimentação de 2011 (ocupação, greve, derrota).

Criar o hábito da leitura

Asterix
“O que me tornou um leitor foram histórias em quadrinhos.”

Publiquei no Digestivo Cultural o artigo O que mata o prazer de ler?, que analisa um recorte dos resultados do Pisa, exame da Organização das Nações Desenvolvidas (OCDE) sobre educação. Eu escrevi:

Creio que se pode afirmar o seguinte: a escola consegue por livros no caminho dos alunos, mas não consegue criar leitores. Consegue convencê-los do status do leitor, da importância ou utilidade da leitura, porém não consegue mostrar que há prazer nisso. (…) eu penso que poderíamos fazer mais mudando o modo como os colégios encaram o ensino de literatura. Apresentar livros e escritores em períodos cerrados de tempo funciona? Oferecer a mesma lista de autores (só que com capas moderninhas) é uma boa estratégia? O que é melhor? Que alguém se torne leitor através de Stephen King, Neil Gaiman e Terry Pratchett ou que nunca mais toque em um volume após terem lhe empurrado um Machado de Assis à força?