Arquivo da categoria: Texto

Eliane Brum: Escutar o Outro Integralmente

Publiquei no blog Fale com Arte, do Itaú Cultural, a entrevista “Eliane Brum: Reportagem é Reflexão em Movimento“, com Eliane Brum. A escritora e jornalista fala sobre a importância da reportagem para o cotidiano e a memória das sociedades, e ressalta a importância de manter o registro do trabalho dos grandes repórteres. Ela disse:

Nós somos seres históricos, com os dois pés enfiados, inscritos na cultura, e por isso a gente precisa se precaver para chegar o mais perto não de uma verdade – porque uma verdade única não existe –, mas o mais próximo das verdades todas. Por isso, o principal instrumento do repórter é a escuta, essa escuta que se faz com todos os sentidos e que te obriga a te despir de todos os teus preconceitos, das tuas visões de mundo, dos teus julgamentos, para escutar o outro na integridade do que ele é: isso é reportagem.

Grupo Bagaceira: Poesia para um Tema Espinhoso

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Publiquei no blog Fale com Arte, do Itaú Cultural, a entrevista “Meire Love: Inocência Pisada“, com o grupo Bagaceira de Teatro. O elenco — formado por Yuri Yamamoto, Rafael Martins e Rogério Mesquita — fala sobre o ideário, o processo criativo e o impacto, principalmente neles próprios, da peça Meire Love, que trata de crianças vítimas de exploração sexual. Eles disseram:

Uma coisa interessante da arte, do teatro, é voltar o olhar para algo. Já que a realidade não sensibiliza mais, pelo menos o olhar artístico pode mexer de alguma forma. Em um momento de entretenimento, como o do teatro, em que a pessoa vem pela diversão, ela chega e vê algo que desvia o foco da sua atenção por um minuto, por um segundo, até por alguns dias. Pensa: “Ah, é, tem isso mesmo, acontece…”. Vê uma morte em cena e se choca: “Porra! O cara matou em cena…”. A arte, o teatro fazem abrir um pouco a reflexão.

Teatro Experimental de Alta Floresta: Brecht em Mato Grosso

Publiquei no blog Fale com Arte, do Itaú Cultural, a entrevista “Lucro e Antagonismo em Santa Joana dos Matadouros“, com o Teatro Experimental de Alta Floresta. O diretor comenta sobre como o dramaturgo inglês Bertold Brecht foi abordado pelo grupo, como a luta de classes representada por ele é transposta para o cenário do Mato Grosso atual. Eles disseram:

Parece que estamos fadados a esse eterno antagonismo entre as classes e a palavra-chave que mantém esse conflito é lucro. Não podemos negar que muitas coisas mudaram desde a época em que o texto foi escrito. Hoje podemos falar de direitos das classes menos privilegiadas, garantidos por leis, mas, enquanto o lucro reger as relações sociais, as estruturas estabelecidas não mudarão.

Arqueologia das Notas

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Publiquei no Digestivo Cultural o artigo Retrato do Leitor Enquanto Anotação, uma experiência com uma edição de Macbeth, de Shakespeare — é possível, pelas anotações nas margens das páginas, perfilar o leitor anterior do texto? Eu escrevi:

Há vestígios de sua passagem: anotações à lápis nas bordas das folhas. O que é que buscava ou o que é que descobriu na obra de Shakespeare? (…) Enfim, o que este qualquer descobriu da sua leitura de Macbeth é esse percurso do neutro, do possível, ao definitivo, ao inescapável. 

Sinto Saudade de Estar Triste

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Publiquei no Digestivo Cultural a crônica/artigo Kurt Cobain; ou: I Miss the Comfort in Being Sad, um texto em homenagem aos 20 anos do suicídio de Kurt Cobain. Trata de juventude e dos modos de viver a poesia. Eu escrevi:

Talvez por isso a maior suavidade, o máximo de felicidade conhecido por Kurt tenha ocorrido quando se sentia indiferenciado, “simplesmente admitido”, como diz o poema de Borges. E o máximo de solidão no oposto complementar, quando se sentia individualizado demais, marcado. “All Apologies” é o resumo mais conciso disto; um de seus versos tem duas versões: all in all we are, ou seja, nós nos confundimos no todo, e all alone is all we are, somos sempre separados, inconciliáveis. Ele viveu na tensão entre estes dois pólos, quando foi reduzido a um deles, não pode mais seguir.

Cifra os Afetos, Faz Dança

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Publiquei no Digestivo Cultural a crítica MPTA, Dança feita de Afetos Condensados, sobre os espetáculos de dança Nós Somos Semelhantes a Esses SaposAli, do grupo francês MPTA. Eu escrevi:

O mais impressionante das duas peças é sua capacidade de representar sentimentos e processos com signos concisos, descrever o essencial de certos tipos de relação com ciclos sutis de gestos. O MPTA é atuante desde 2001; Nós somos semelhantes a esses sapos…, de 2013, foi concebida por Ali e Hédi Thabet; Ali, de 2008, é encenada por Mathurin Bolse e Hédi Thabet. Por aqui, as peças foram montadas na 1ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, que ocorreu de 9 a 16 de março e trouxe à cidade espetáculos de vários países do mundo e um ciclo de debates. Abaixo, tentamos exibir como a companhia condensa e cifra os afetos, e os faz dança.

Linchamentos Segundo a Sociologia

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Publiquei no Observatório de Imprensa o artigo Para compreender os linchamentos, um texto que apresenta as análises do sociólogo José se Souza Martins a respeito dos linchamentos, com base em uma pesquisa que abrange séculos da história brasileira. Eu escrevi:

Martins interpreta os linchamentos como “a ponta visível de processos sociais e da estrutura social”, sintomas de mudanças das hierarquias cultural e econômica, da corrosão da imagem do Estado e de um ideário político específico. Neste texto, resumimos as ideias de dois artigos do sociólogo: “As condições do estudo sociológico dos linchamentos no Brasil“ (1995) e “Linchamento: o lado sombrio da mente conservadora“ (1996), tentando sugerir pautas para futuras reportagens.

É Preciso Dizer: me Orgulho

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Publiquei no Digestivo Cultural a crônica Margarida e Antônio, Sueli e Israel, um texto sobre memória, trabalho, política e origens, histórias do meu avô Antônio, minha avó Margarida, meu pai Israel e minha mãe Sueli (a foto que ilustra este post é um quadro da minha avó). Eu escrevi:

Eu acho, pelo contrário, que é preciso saber dizer: me orgulho. É justamente pela sua habilidade política que as pessoas de origem “ilustre” dão à sua origem esse adjetivo. Não que seja o caso de dizer que toda origem é ilustre, a questão é que a suposta ilustração é a parte menos importante – origem, a mais. A originalidade de cada percurso até o meu percurso particular são relações com (e apesar de) a cultura, a economia, a sociedade. É preciso dizer: me orgulho.

A Aventura Ressignifica o Mundo

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Publiquei no Digestivo Cultural a crítica O Hobbit – A Desolação de Smaug, sobre o segundo filme da trilogia de Peter Jackson sobre o livro de J.R.R. Tolkien. Eu escrevi:

De fato, não é só uma “adaptação”: Jackson reinventa a história. Traz novos personagens e novo direcionamento. Para o crítico, isso basta para reduzir a história à megalomania criativa de um fã com acesso à Hollywood. Mas basta? Esta coluna quer defender a autonomia de cada obra, até que vejamos qual é a diferença fundamental, não cosmética, entre elas. Adianto a conclusão: em Tolkien nos fascina a simples aventura; em Jackson nos sufoca um Destino.

Este texto conta com uma versão em inglês, publicada no MediumAdventure re-signifies the world.