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Ocupação Jards Macalé

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Site para a exposição Ocupação Jards Macalé, no Itaú Cultural, em São Paulo, de novembro de 2013 a janeiro de 2014. Reportagem (pesquisa, entrevistas, redação) e edição são minhas. A produção das entrevistas é de Paula Bertola. Os vídeos foram gravados por André Seiti e Karina Bonini Fogaça, que também editou o material (com o Luiz Melodia, tivemos câmera de Rodrigo Lorezentti e captação de áudio de Ana Paula Fiorotto. Visite.

A Aventura Ressignifica o Mundo

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Publiquei no Digestivo Cultural a crítica O Hobbit – A Desolação de Smaug, sobre o segundo filme da trilogia de Peter Jackson sobre o livro de J.R.R. Tolkien. Eu escrevi:

De fato, não é só uma “adaptação”: Jackson reinventa a história. Traz novos personagens e novo direcionamento. Para o crítico, isso basta para reduzir a história à megalomania criativa de um fã com acesso à Hollywood. Mas basta? Esta coluna quer defender a autonomia de cada obra, até que vejamos qual é a diferença fundamental, não cosmética, entre elas. Adianto a conclusão: em Tolkien nos fascina a simples aventura; em Jackson nos sufoca um Destino.

Este texto conta com uma versão em inglês, publicada no MediumAdventure re-signifies the world.

Fins de Ano

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Publiquei no Digestivo Cultural a crítica/crônica/artigo Texto Otimista de Fim de Ano, sobre Marcel Proust, Jim Carrey, Woody Allen, jornalismo — e fins de ano. Eu escrevi:

Em alguns momentos, o jornalismo atinge o nível do arquétipo: nas notícias que não são notícias, que apenas confirmam o mundo. Cumprimos o ano e lá estão as pessoas (as mesmas pessoas?) comprando de última hora presentes de Natal (é o mesmo Natal?), se engarrafando para ir à praia no Ano Novo (o velho ano novo?). Se as redações fechassem e vídeos antigos fossem exibidos, ninguém notaria. É um tempo parado. Nada acontece, só o que já aconteceu. A retrospectiva por fim comprime 52 semanas em 60 minutos. Estamos em dia. 2014 está já esquartejado: logo Carnaval, logo Páscoa, logo Copa. Abre-se dessa forma o espaço para textos otimistas de fim de ano.

Este é um texto otimista de fim de ano. Diz: tudo é possível. Mas tudo, tudo mesmo.

A Vida é Imensa, o Homem é Pequeno

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Publiquei no Digestivo Cultural uma crítica sobre o filme As Aventuras de Pi. Eu escrevi:

A vida é imensa, deslumbrante e indiferente – e o homem é pequeno; eis o núcleo do filme de Ang Lee As Aventuras de Pi, adaptação do livro homônimo do escritor canadense Yann Martel, ganhador do Booker Prize de 2002. Essa ideia essencial transparece tanto no visual exuberante com que é retratada a natureza – em sua violência e sutileza – quanto no enredo, que conta a odisseia do rapaz indiano Pi, à deriva no meio do Pacífico, tendo como único companheiro um tigre branco. A história é narrada por Pi a Yann, com um adicional que estipula uma moldura religiosa a toda a narrativa: a sobrevivência ao longo de 227 dias, sob sol e solidão, contra a ameaça constante da fera, com um quase nada de recursos, é uma história que deve fazer com que Yann (e, por analogia, nós) acreditemos em deus.

A Ideologia do Batman de Nolan

Batman - O Cavaleiro das Trevas RessurgePubliquei no Digestivo Cultural a crítica Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, sobre o último filme da trilogia realizada pelo diretor Christopher Nolan sobre o personagem dos quadrinhos. A série de Nolan redefiniu o gênero de adaptações de HQ. Eu escrevi:

A obra tem qualidades. A preocupação de Nolan com o realismo é a maior delas (…). Há  problemas: lacunas de verossimilhança, ingenuidade do enredo e, principalmente, um teor ideológico intenso, que prejudicou meu envolvimento com a narrativa. Essa ideologia será criticada abaixo – não por suas teses, mas pelo modo insidioso com que é introduzida: ela faz o filme funcionar como uma longa “falácia do espantalho”, distorcendo a posição de seus oponentes até o ponto em que sejam simples de negar: o que trago, em suma, é uma leitura cultural-política de “terrorismo”, “revolução” e “liberalismo”.

Nos comentários, a coluna suscitou uma discussão interessante com leitores. Em resposta à Rafael Minari, abordei uma série de temas que ou sustentam a visão que apresentei ou o expandem.

Vivência de Guerra

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Publiquei no Digestivo Cultural a crítica Beleza e barbárie, ou: Flores do Oriente, sobre o filme dirigido por Zhang Yimou. Eu escrevi:

Essa obra de Yimou foi lançada em 2011 no exterior e chegou ao Brasil há pouco. O diretor produziu, entre outros, A Maldição da Flor Dourada (2006), O Clã das Adagas Voadoras (2004) e Herói (2002). O aspecto plástico das suas produções é marcante, pelo uso das cores e apuro quanto a figurino e cenário. Embora pese a mão no melodrama em alguns trechos, o filme em geral lida bem com seu ritmo, variando entre tenso, contemplativo e brusco – as múltiplas dimensões do que seja a vivência de guerra, de uma maneira semelhante a que lemos, por exemplo, no livro Inverno da Guerra, de Joel Silveira. Esse é o filme mais caro da história do cinema chinês e traz Christian Bale (de Batman) como o agente funerário.

Frente à Mudança

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Publiquei no Digestivo Cultural a crítica O Artista, sobre o vencedor do Oscar de melhor filme, diretor e ator em 2012. Eu escrevi:

O Artista, filme do francês Michel Hazanavicius, possui personagens cativantes, beleza visual e uma história leve e divertida. Não só, chama de imediato a atenção pelo uso de uma forma antiga, a do cinema do início do século XX e antes. Em preto e branco, mudo (ou quase), com falas escritas na tela e trilha orquestrada, essa produção retoma esses recursos não por fetiche, mas como modo de reforçar a narração. O diretor brinca com o que esperaria um espectador de hoje, põe nossa percepção para funcionar de outra maneira e nos dá a chance de nos identificarmos com seu tema central, isto é, tempo e identidade – ou, mais precisamente, como lidamos com a mudança.

Um Filme Sérvio

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Publiquei no Digestivo Cultural a crítica A Serbian Film: Indefensável?, sobre o polêmico filme de horror proibido não só em território nacional como em outros países. Eu escrevi:

A Serbian Film teve sua exibição proibida em território nacional em 9 de agosto. A Justiça Federal decidiu-se pela censura porque o filme “simula a participação de recém-nascido em cena de sexo”, assim como contém cenas de “sexo explícito, crueldade, elogio/banalização da violência, necrofilia, tortura, suicídio, mutilação, agressão”. Espanha, Suécia e Finlândia seguiram o mesmo caminho. A decisão ao mesmo tempo diz o que podemos assistir e o que pode ser abordado pela expressão artística. É correto que haja esse limite?

Elizabeth Bishop e o Brasil

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Publiquei no Digestivo Cultural a crítica O que este país tão longe ao sul tem a oferecer, sobre a peça Um Porto para Elizabeth Bishop, com direção de José Possi Neto e atuação de Regina Braga. Eu escrevi:

Regina interpreta uma Bishop frágil, desejosa de atenção, que vê o mundo com ironia ou fascínio, recortada por momentos de autoconfiança e lucidez. Não sei o quanto isso se aproxima da poeta ou o quanto se harmoniza com sua obra, mas essa é a impressão que se pode ter: menos de alguém a um tempo forte e débil e mais de alguém que sabe ou pressente que a força comporta fraqueza e vice-versa. De algum modo, as coisas se desfazem e o que sobra é o indivíduo, menos e mais do que era. É essa a mulher que se encanta pelo Brasil.

Texto em duas partes, na segunda ele se foca na conjuntura brasileira atual, mais precisamente na pergunta: por que nossa percepção do País é subalterna independente dos desenvolvimentos recentes e da visão internacional? As referências usadas são exemplos entre outros; essa mesma ideia poderia ser ilustradas de vários modos. Traga aos comentários suas divergências.