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Eliane Brum: Escutar o Outro Integralmente

Publiquei no blog Fale com Arte, do Itaú Cultural, a entrevista “Eliane Brum: Reportagem é Reflexão em Movimento“, com Eliane Brum. A escritora e jornalista fala sobre a importância da reportagem para o cotidiano e a memória das sociedades, e ressalta a importância de manter o registro do trabalho dos grandes repórteres. Ela disse:

Nós somos seres históricos, com os dois pés enfiados, inscritos na cultura, e por isso a gente precisa se precaver para chegar o mais perto não de uma verdade – porque uma verdade única não existe –, mas o mais próximo das verdades todas. Por isso, o principal instrumento do repórter é a escuta, essa escuta que se faz com todos os sentidos e que te obriga a te despir de todos os teus preconceitos, das tuas visões de mundo, dos teus julgamentos, para escutar o outro na integridade do que ele é: isso é reportagem.

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Ocupação Laerte

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Site para a exposição Ocupação Laerte, no Itaú Cultural, em São Paulo, de setembro a novembro de 2014. Reportagem (pesquisa, entrevistas, redação) e edição são minhas. A produção das entrevistas é de Paula Bertola. Os vídeos foram gravados por André Seiti e Karina Bonini Fogaça (com exceção da gravação com André Dahmer, feita por Rafael Rolim e José Amarílio Jr.), que também editou o material. A captação de áudio é de Ana Paula Fiorotto (no caso do Dahmer, Lucas Imbiriba). Visite.

Linchamentos Segundo a Sociologia

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Publiquei no Observatório de Imprensa o artigo Para compreender os linchamentos, um texto que apresenta as análises do sociólogo José se Souza Martins a respeito dos linchamentos, com base em uma pesquisa que abrange séculos da história brasileira. Eu escrevi:

Martins interpreta os linchamentos como “a ponta visível de processos sociais e da estrutura social”, sintomas de mudanças das hierarquias cultural e econômica, da corrosão da imagem do Estado e de um ideário político específico. Neste texto, resumimos as ideias de dois artigos do sociólogo: “As condições do estudo sociológico dos linchamentos no Brasil“ (1995) e “Linchamento: o lado sombrio da mente conservadora“ (1996), tentando sugerir pautas para futuras reportagens.

Protestos estudantis e Tendência

Publiquei no Observatório de Imprensa o artigo Cobertura enviesada dos protestos estudantis na USP, uma análise do noticiário da Folha de S.Paulo sobre a greve e ocupação dos estudantes da USP em 2013. Eu escrevi:

Folha de S.Paulo tem realizado uma cobertura parcial das atuais manifestações estudantis na USP, que se declaram por alterações no modelo de eleição do reitor e pela instauração de uma estatuinte (com poder para, por exemplo, extrair das estruturas da universidade ordenações herdadas da ditadura). A parcialidade da cobertura deve se tornar evidente com a interpretação seguinte.

Crítica ao Jornalismo

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Publiquei no Digestivo Cultural o artigo Pesquisando (e lendo) o jornalismo. O texto parte de um incômodo meu sobre certa crítica automática à imprensa. Eu escrevi:

A crítica ao jornalismo e à mídia, em geral, me parece insuficiente, por não lidar com o seu objeto de uma forma completa, isto é, desconsiderando sua prática e tomando como foco de análise apenas a sua aparência final. Há uma distância entre o publicado e a práxis que leva à publicação, distância ou simplesmente ignorada ou exclusivamente abordada via paranoia – como nos discursos sobre Grandes Conspirações Midiáticas, que, se podem apontar para alguma verdade, distorcem e confundem por sua conta outra cota de dados. Como pesquisar de forma íntegra e consequente a imprensa? Eu tinha umas ideias soltas sobre isso, eis aqui um esboço de conclusão. O leitor não-jornalista, nessa era em que somos todos jornalistas, talvez encontre alguma utilidade, meios de pedir mais e melhor das “denúncias” eventuais. 

Limitações do Jornalismo de Mídia Social

Publiquei no Observatório de Imprensa uma tradução de The Problem with Tweeting a Revolution, de Jacob Silverman para a The New Republic. Com o título Os problemas em tuitar uma revolução, o texto trata das limitações das coberturas jornalísticas (?) feitas apenas através das mídias sociais. O autor escreve:

Durante os dias mais turbulentos dos protestos na praça Tahrir, Andy Carvin postou mais de mil tweets por dia. Ele se focou nisso em turnos de 18 horas, agregando e distribuindo informação de ativistas, rebeldes e jornalistas (cidadãos). Dormia apenas por necessidade biológica. Por tudo isso, Carvin, que é também estrategista sênior daNPR [National Public Radio], tem sido chamado “o homem que tuíta revoluções”. Carvin lançou recentemente um livro registrando esses dois anos em que – em que o que? Em que lutou nas trincheiras digitais? Em que produziu um Diagrama de Venn do ativismo de laptop e da agregação jornalística? A resposta não está clara porque Carvin é o exemplo mais proeminente de algo que pode mesmo nem ter um nome ainda.

Cobertura Eleitoral e Tendência

Publiquei no Observatório de Imprensa o artigo Edições em Campanha Política, um texto que compara a cobertura do Estado de S.Paulo das atividades dos presidenciáveis em 2010 Dilma Rousseff e José Serra. Pela enfoque diferenciado nas fotografias de um e outra, o resultado é uma clara preferência pelo candidato do PSDB. Eu escrevi:

O governador de São Paulo José Serra e o jornal O Estado de S.Paulo têm uma coisa em comum: ambos parecem estar em campanha, ambos pela Presidência, o segundo em defesa do primeiro. Na surdina. Contrapondo o modo pelo qual o Estadão representa Serra ao que usa para figurar Dilma Rousseff, podemos supor uma predileção pelo primeiro. A tendência se enxerga, neste artigo, pelo uso das fotos que ilustram as matérias e pela edição do todo. Poderá haver outras formas de argumentar o mesmo (ou o contrário), mas esse será o nosso meio de interpretação.