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Ônibus

Marginal TietêPubliquei no Digestivo Cultural a crônica Manual para o leitor de transporte público. Eu escrevi:

O ônibus segue a dois centímetros/hora, mas a tensão do trânsito paulista não me engole e é feito Haroldo de Campos que escapo: “o livro me salva me alegra me alaga“. Como, onde, quando é que você lê, leitor? Eu geralmente só leio no transporte público, nas duas ou três ou quatro horas (de acordo com o humor de São Paulo) em que passo indo de lá pra cá. Não chego a agradecer a deus por um congestionamento, como se diz de José Mindlin, mas ler me mantém sadio e eu não penso em comer os olhos de ninguém quando uma passeata para a Consolação e a Paulista fica imóvel do Paraíso àBela Cintra. Não, não. Estou longe. Sou quase um monge budista, de vez em quando olhando os sem-livro incompreensíveis.

O texto tem as marcas de duas outras atividades na época: a produção do site Ocupação Haroldo de Campos e a leitura de Madame Bovary. Os percursos narrados são os que me levavam para o curso de Filosofia, na USP.

Criar o hábito da leitura

Asterix
“O que me tornou um leitor foram histórias em quadrinhos.”

Publiquei no Digestivo Cultural o artigo O que mata o prazer de ler?, que analisa um recorte dos resultados do Pisa, exame da Organização das Nações Desenvolvidas (OCDE) sobre educação. Eu escrevi:

Creio que se pode afirmar o seguinte: a escola consegue por livros no caminho dos alunos, mas não consegue criar leitores. Consegue convencê-los do status do leitor, da importância ou utilidade da leitura, porém não consegue mostrar que há prazer nisso. (…) eu penso que poderíamos fazer mais mudando o modo como os colégios encaram o ensino de literatura. Apresentar livros e escritores em períodos cerrados de tempo funciona? Oferecer a mesma lista de autores (só que com capas moderninhas) é uma boa estratégia? O que é melhor? Que alguém se torne leitor através de Stephen King, Neil Gaiman e Terry Pratchett ou que nunca mais toque em um volume após terem lhe empurrado um Machado de Assis à força? 

Percurso e Surpresa nos Jornalões

JornaisPubliquei no Digestivo Cultural o artigo Pra que ler jornal de papel?, sobre uma mídia supostamente moribunda: os jornais impressos. Há neles aspectos atrativos, inexistentes na internet, sua algoz? Explorei essa possibilidade e algumas outras ideias. Eu escrevi:

Em primeiro lugar, o jornal me sugere um percurso. Realiza uma seleção, dispõe discussões relativas ao tema, agrupa as matérias de forma que eu as visualize todas com o virar das páginas. Navegando na Folha Online, eu teria de passar de link relacionado a link anunciado, mas nada ali me diz que aquilo faz parte de um todo, só me diz que foi acumulado no mesmo lugar. (…) Nessa sugestão de caminho, encontramos a segunda utilidade: ao longo das editorias, sou apresentado a assuntos que eu não procuraria virtualmente, e, por isso, nunca saberia deles. Esportes, temas femininos, construção, design ― não procuraria nada no Google sobre eles; mas ali no jornal estava uma matéria e por acaso eu aprendi. A internet é como o mar de certo conto de Poe: te drena em uma espiral e te afunda. No fim das contas, ela te dá mais e mais de você mesmo, seguidamente.

atualização: o artigo foi referenciado, em link, no estudo “O Design de Jornais: Do Texto ao Hipertexto“, da pesquisadora Ana Gruszynski, no livro Mapeamento do Ensino do Jornalismo Digital no Brasil em 2010.