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Ações são Mídia

blackbloc

Publiquei no Digestivo Cultural o artigo Passe Livre, FdE e Black Blocs – enquanto Mídia, um texto que enfoca três dos personagens que receberam destaque social após as jornadas de Junho: os black blocs, o Fora do Eixo e o movimento Passe Livre. Eu escrevi:

Esbocemos uma tese nem tão nova: as ações portam conteúdos narrativos e informativos; as ações são mídia, e, como diz a regra, implicam em reações, também midiáticas. Se assim for, nenhum ato ocorre sem estratégia nesse sentido. Os protestos de junho e correlatos nos dão três exemplos distintos disso. O Movimento Passe Livre (MPL) se dispôs no debate público como um tiro: pontual, compacto, específico, não pode ser diluído no jogo de interesses e ponto de vistas que soe ocorrer. A Mídia Ninja foi por sua vez como uma bomba de efeito moral: sua inserção no campo de atenção das pessoas gerou múltiplos e contraditórios efeitos, o maior deles o vazamento da discussão pela brecha do coletivo Fora do Eixo (FdE), quando explodiu e implodiu. Os Black Blocs, enfim, um homem que ateia o próprio corpo em chamas: indefinido e ao mesmo tempo muito bem definido, sem falar por ninguém, sem nem mesmo se preencher de sentido, obrigou a sociedade a formular sozinha os sentidos, em grandes consensos opostos. Mas as metáforas são só metáforas. Vamos aos fatos.

Percurso e Surpresa nos Jornalões

JornaisPubliquei no Digestivo Cultural o artigo Pra que ler jornal de papel?, sobre uma mídia supostamente moribunda: os jornais impressos. Há neles aspectos atrativos, inexistentes na internet, sua algoz? Explorei essa possibilidade e algumas outras ideias. Eu escrevi:

Em primeiro lugar, o jornal me sugere um percurso. Realiza uma seleção, dispõe discussões relativas ao tema, agrupa as matérias de forma que eu as visualize todas com o virar das páginas. Navegando na Folha Online, eu teria de passar de link relacionado a link anunciado, mas nada ali me diz que aquilo faz parte de um todo, só me diz que foi acumulado no mesmo lugar. (…) Nessa sugestão de caminho, encontramos a segunda utilidade: ao longo das editorias, sou apresentado a assuntos que eu não procuraria virtualmente, e, por isso, nunca saberia deles. Esportes, temas femininos, construção, design ― não procuraria nada no Google sobre eles; mas ali no jornal estava uma matéria e por acaso eu aprendi. A internet é como o mar de certo conto de Poe: te drena em uma espiral e te afunda. No fim das contas, ela te dá mais e mais de você mesmo, seguidamente.

atualização: o artigo foi referenciado, em link, no estudo “O Design de Jornais: Do Texto ao Hipertexto“, da pesquisadora Ana Gruszynski, no livro Mapeamento do Ensino do Jornalismo Digital no Brasil em 2010.