Arquivo da tag: poesia

Arqueologia das Notas

7

Publiquei no Digestivo Cultural o artigo Retrato do Leitor Enquanto Anotação, uma experiência com uma edição de Macbeth, de Shakespeare — é possível, pelas anotações nas margens das páginas, perfilar o leitor anterior do texto? Eu escrevi:

Há vestígios de sua passagem: anotações à lápis nas bordas das folhas. O que é que buscava ou o que é que descobriu na obra de Shakespeare? (…) Enfim, o que este qualquer descobriu da sua leitura de Macbeth é esse percurso do neutro, do possível, ao definitivo, ao inescapável. 

Sinto Saudade de Estar Triste

kurt

Publiquei no Digestivo Cultural a crônica/artigo Kurt Cobain; ou: I Miss the Comfort in Being Sad, um texto em homenagem aos 20 anos do suicídio de Kurt Cobain. Trata de juventude e dos modos de viver a poesia. Eu escrevi:

Talvez por isso a maior suavidade, o máximo de felicidade conhecido por Kurt tenha ocorrido quando se sentia indiferenciado, “simplesmente admitido”, como diz o poema de Borges. E o máximo de solidão no oposto complementar, quando se sentia individualizado demais, marcado. “All Apologies” é o resumo mais conciso disto; um de seus versos tem duas versões: all in all we are, ou seja, nós nos confundimos no todo, e all alone is all we are, somos sempre separados, inconciliáveis. Ele viveu na tensão entre estes dois pólos, quando foi reduzido a um deles, não pode mais seguir.

Elizabeth Bishop e o Brasil

um-porto-para-elizabeth-bishop

Publiquei no Digestivo Cultural a crítica O que este país tão longe ao sul tem a oferecer, sobre a peça Um Porto para Elizabeth Bishop, com direção de José Possi Neto e atuação de Regina Braga. Eu escrevi:

Regina interpreta uma Bishop frágil, desejosa de atenção, que vê o mundo com ironia ou fascínio, recortada por momentos de autoconfiança e lucidez. Não sei o quanto isso se aproxima da poeta ou o quanto se harmoniza com sua obra, mas essa é a impressão que se pode ter: menos de alguém a um tempo forte e débil e mais de alguém que sabe ou pressente que a força comporta fraqueza e vice-versa. De algum modo, as coisas se desfazem e o que sobra é o indivíduo, menos e mais do que era. É essa a mulher que se encanta pelo Brasil.

Texto em duas partes, na segunda ele se foca na conjuntura brasileira atual, mais precisamente na pergunta: por que nossa percepção do País é subalterna independente dos desenvolvimentos recentes e da visão internacional? As referências usadas são exemplos entre outros; essa mesma ideia poderia ser ilustradas de vários modos. Traga aos comentários suas divergências.