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Arqueologia das Notas

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Publiquei no Digestivo Cultural o artigo Retrato do Leitor Enquanto Anotação, uma experiência com uma edição de Macbeth, de Shakespeare — é possível, pelas anotações nas margens das páginas, perfilar o leitor anterior do texto? Eu escrevi:

Há vestígios de sua passagem: anotações à lápis nas bordas das folhas. O que é que buscava ou o que é que descobriu na obra de Shakespeare? (…) Enfim, o que este qualquer descobriu da sua leitura de Macbeth é esse percurso do neutro, do possível, ao definitivo, ao inescapável. 

Cifra os Afetos, Faz Dança

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Publiquei no Digestivo Cultural a crítica MPTA, Dança feita de Afetos Condensados, sobre os espetáculos de dança Nós Somos Semelhantes a Esses SaposAli, do grupo francês MPTA. Eu escrevi:

O mais impressionante das duas peças é sua capacidade de representar sentimentos e processos com signos concisos, descrever o essencial de certos tipos de relação com ciclos sutis de gestos. O MPTA é atuante desde 2001; Nós somos semelhantes a esses sapos…, de 2013, foi concebida por Ali e Hédi Thabet; Ali, de 2008, é encenada por Mathurin Bolse e Hédi Thabet. Por aqui, as peças foram montadas na 1ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, que ocorreu de 9 a 16 de março e trouxe à cidade espetáculos de vários países do mundo e um ciclo de debates. Abaixo, tentamos exibir como a companhia condensa e cifra os afetos, e os faz dança.

Estado de Crise

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Publiquei no Digestivo Cultural a crítica Coro dos Maus Alunos, sobre a peça com direção de Tuna Serdezello, montada pela Cia Arthur-Arnaldo. Eu escrevi:

Coro dos Maus Alunos, peça que esteve em cartaz no Centro Cultural São Paulo neste outubro, narra os conflitos deflagrados em uma escola com a vinda de um professor com métodos inovadores – sua temática é a das dificuldades de ensino e aprendizado, das distâncias entre educadores e alunos, da apatia e violência dentro das escolas. No fim das contas, a montagem faz um bom tratamento de ideias sem novidade; o roteiro consegue renovar os clichês de que faz uso, mas é principalmente graças à atuação e aos recursos cenográficos utilizados que o conjunto ganha cor. Luzes e sombras, projeções, usos do som – cenograficamente, consegue-se evidenciar o problema central do tema: as visibilidades de um estado de crise.

Antesala dos Relacionamentos

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Publiquei no Digestivo Cultural a crítica Todas as Tardes, Escondido, Eu a Contemplo, sobre o espetáculo de dança Todas as Tardes. Eu escrevi:

Todas as Tardes, solo de dança interpretado por Sílvia Geraldi, ocorre na antesala dos relacionamentos. A comunicação de que a atração existe, a negociação para o avanço, a sinalização de que se está satisfeito: os movimentos de um jogo de tabuleiro, cálculo e emoção, emoção no cálculo e cálculo na emoção, percebidos pelo ponto de vista de um dos dois jogadores; ele, para quem o outro é uma janela aberta, porém uma janela aberta para o quê. No espetáculo, a coreografia descontextualiza gestos e põe a nu as tensões; e o texto, as poucas falas, descreve a paixão – que pretendemos explosiva, romântica – mais travada, mais engatinhante, mais incerteza.