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Cifra os Afetos, Faz Dança

sapos

Publiquei no Digestivo Cultural a crítica MPTA, Dança feita de Afetos Condensados, sobre os espetáculos de dança Nós Somos Semelhantes a Esses SaposAli, do grupo francês MPTA. Eu escrevi:

O mais impressionante das duas peças é sua capacidade de representar sentimentos e processos com signos concisos, descrever o essencial de certos tipos de relação com ciclos sutis de gestos. O MPTA é atuante desde 2001; Nós somos semelhantes a esses sapos…, de 2013, foi concebida por Ali e Hédi Thabet; Ali, de 2008, é encenada por Mathurin Bolse e Hédi Thabet. Por aqui, as peças foram montadas na 1ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, que ocorreu de 9 a 16 de março e trouxe à cidade espetáculos de vários países do mundo e um ciclo de debates. Abaixo, tentamos exibir como a companhia condensa e cifra os afetos, e os faz dança.

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Antesala dos Relacionamentos

todasas

Publiquei no Digestivo Cultural a crítica Todas as Tardes, Escondido, Eu a Contemplo, sobre o espetáculo de dança Todas as Tardes. Eu escrevi:

Todas as Tardes, solo de dança interpretado por Sílvia Geraldi, ocorre na antesala dos relacionamentos. A comunicação de que a atração existe, a negociação para o avanço, a sinalização de que se está satisfeito: os movimentos de um jogo de tabuleiro, cálculo e emoção, emoção no cálculo e cálculo na emoção, percebidos pelo ponto de vista de um dos dois jogadores; ele, para quem o outro é uma janela aberta, porém uma janela aberta para o quê. No espetáculo, a coreografia descontextualiza gestos e põe a nu as tensões; e o texto, as poucas falas, descreve a paixão – que pretendemos explosiva, romântica – mais travada, mais engatinhante, mais incerteza.

Corpo e Modo de Ser

Alias_Sideways

Publiquei no Digestivo Cultural a crítica Sideways Rain: Pausa, Choque, Fluxo e Corpo, sobre o espetáculo de dança encenado pelo grupo suíço Alias. Eu escrevi:

Braços e pernas tesos e alongados, surge no canto o primeiro bailarino, similar a um animal pesado e vagaroso, quiçá ancestral. O fluxo irrompe insuspeito e não terá fim: os dançarinos sucessivamente atravessarão o palco de um lado a outro, como que em “corredores” diferentes, divisões abstratas do espaço cênico. A coreografia Sideways Rain, do grupo suíço de dança contemporânea Alias, tem um caráter hipnótico e só é interpretada de modo oblíquo, isto é, não diretamente, mas sentindo o sentido aos poucos. De que é que se trata? Do aleatório histórico que nos levou de bicho à gente? Da escassez de contato humano no cotidiano? Do choque como oportunidade de vida?